Porgy and Bess - Último grande trabalho de Gershwin, foi escrita em 1934 e estreou no ano seguinte, com co-autoria de seu irmão Ira Gershwin, baseada no conto "Porgy", do libretista DuBose Heyward. Pioneira por inserir influências jazzísticas e religiosas em uma ópera, a obra revolucionou a música popular americana, apresentando canções, entre elas "Summertime", que se tornaram clássicos mundiais interpretadas por ícones do jazz como Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Miles Davis, Billie Holiday e Nina Simone.
Ópera - cujas canções foram interpretadas por ícones do jazz como Ella Fitzgerald, Louis Armstrong, Miles Davis, Billie Holiday e Nina Simone - é montada com 19 artistas no palco e orquestra de câmara com 12 músicos.
Festejados em todo o mundo, o baixo José Gallisa e o soprano Edna D'Oliveira interpretam os protagonistas Porgy e Bess, respectivamente.
Anos 30, nos Estados Unidos. Judeu nova-iorquino, George Gershwin ousa e reúne personagens negros, pobres, drogados, traficantes e música étnica, em um gênero até então improvável para o contexto da história: a ópera. Porgy and Bess, primeira composição norte-americana a se destacar mundialmente, é um divisor de águas do gênero, já que coloca no palco elenco formado exclusivamente por artistas negros e promove a fusão entre as tradições sinfônica européia e a jazzística dos EUA. Pela ousadia e inovação, a obra é até hoje reconhecida como a maior ópera americana de todos os tempos.
Em versão reduzida e adaptada, Porgy and Bess chega aos palcos do Theatro São Pedro, em três apresentações, quinta-feira (26.06) e sábado (28.06), às 20h30, e domingo (29.06), às 17h, com produção da APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte e realização da Secretaria de Cultura do Estado. Os ingressos custam R$ 20,00 (R$ 10,00 meia-entrada).
O espetáculo retrata o melancólico drama amoroso do casal Porgy, mendigo aleijado, e Bess, prostituta viciada em cocaína, que se vê presa ao amante opressor, Crown, e aos cortejos do traficante Sportin' Life. Ambientada no sul dos EUA, apresenta um retrato fiel da vida de uma comunidade negra paupérrima, em um período de intensa discriminação racial.
A montagem que chega ao Theatro São Pedro tem solistas de primeira linha, o internacionalmente renomado casal José Gallisa (baixo) e Edna D'Oliveira (soprano) interpreta os protagonistas Porgy e Bess, respectivamente. A ópera ainda conta com a meio-soprano Ednéia de Oliveira, que interpreta Serena, o soprano Elenis Guimarães, como Clara, e o tenor Geilson dos Santos, como Sportin`Life. Tem direção musical de Felipe Senna e direção cênica de João Malatian. "Me inspirei nas várias versões que já existem da obra como ópera, como musical e até filme para fazer algo híbrido, uma nova experimentação. Com menos cantores e mais enxuta, esta produção vai dar um caráter mais intimista ao espetáculo", explica Malatian. No total, serão 19 artistas no palco, sendo 14 cantores, um ator e quatro bailarinos.
Música - Adaptada pelo diretor musical e regente Felipe Senna, a nova versão paulistana será executada por uma orquestra de câmara formada por 12 instrumentistas (violino, viola, violoncelo, banjo, piano, baixo, bateria, trompa, trompete, sax, flauta, clarinete e clarone), que transitam entre o popular e o erudito. "Daremos destaque às características jazzísticas da obra", explica Senna. Entre as árias imperdíveis estão a insuperável "Summertime" (cantada por Clara e revisitada ao longo do espetáculo), "Bess, you is my woman now" (dueto entre Porgy e Bess), "I got plenty o'nuttin'" (Porgy) e "My man's gonne now" (Serena).
Cenário e Figurino - Assinado por Renato Theobaldo, o cenário utiliza materiais recicláveis, tais como caixotes de frutas e verduras, transformando o palco num enorme cortiço, com ares de instalação de arte. Para o figurino, Fábio Namatame se inspirou no estilo do gueto americano dos anos 30, 40. "Dentro da simplicidade e da pobreza, os personagens buscam apresentar o glamour da época", diz Malatian.
Vicente Amato Filho, diretor artístico da APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte, responsável pela realização do espetáculo explica que essa obra foi considerada racista até por artistas e lideranças afro-americanos, que a acusaram de ter firmado estereótipos. "Mas Gershwin fez estudos minuciosos nos estados do sul dos Estados Unidos e, apesar de ter sofrido resistências de ambos os lados, sofrer controvérsias até hoje, é inegável que sua música atingiu dimensões globais, sendo hoje uma das mais recriadas e interpretadas do mundo", afirma o especialista.
FICHA TÉCNICA
Ópera Porgy and Bess, de George Gershwin
Realização: Secretaria de Estado da Cultura
Produção: APAA - Associação Paulista dos Amigos da Arte e Escamilla Soluções Culturais
Solistas: soprano Edna D'Oliveira (Bess), baixo José Gallisa (Porgy), barítono David Marcondes (Crown), meio-soprano Ednéia de Oliveira (Serena), soprano Elenis Guimarães (Clara), barítono Ademir da Costa (Jake) e tenor Geilson dos Santos (Sportin`Life).
Arranjos, direção musical e regência: Felipe Senna
Direção Cênica: João MalatianCenário: Renato Theobaldo e Roberto Rolnick Cardoso
Figurino: Fábio Namatame
Direção de Produção: Sérgio Escamilla
Local: Theatro São Pedro
Datas e Horários: 26.06.2008 e 28.06.2008, às 20h30; e 29.06.2008, às 17h.
Número de Lugares: 636
Duração: 2h15 (com intervalo)