A literatura e os jovens
Um projeto cultural e pedagógico que ambicione atingir tal objetivo deve iluminar a obra a ponto de mostrar aos leitores a vida que carrega.
É recorrente a observação de que o jovem tem se afastado da literatura em razão de mudanças sociais supostamente mais atraentes que o universo literário. Diversos recursos tecnológicos substituiriam com vantagens o tempo perdido diante das páginas de papel dos livros. E as escolas, mergulhadas à força nessa questão, estariam fadadas ao fracasso, ao exigirem leituras (normalmente chamadas de obrigatórias) de pobres estudantes, incapazes de entenderem um mundo que estaria há muito ultrapassado.
Esta situação tem sido analisada de várias maneiras, sob um sem número de enfoques. Um deles, por exemplo, reconhece na chamada “obsolescência da mercadoria” o elemento ideológico que alimentaria o desprezo por produtos que teriam necessariamente, como todos os que nos cercam, uma data de validade, um prazo, segundo o qual, deveriam ser descartados. A Arte, de todo modo, não poderia escapar ao destino natural, e, portanto, alienador, que transforma objetos e homens em cacos velhos e sujeitos ultrapassados.
O desafio das escolas e daqueles que, de alguma forma, trabalham com literatura é justamente desmontar o mecanismo que inverte o conceito de obra clássica, demonstrando não apenas a importância estética de um texto, mas sua pertinência para a compreensão do processo histórico no qual todos estamos inseridos. Em outras palavras, o desafio de mostrar aos alunos que, como leitores, também participam do processo permanente de recriação da obra, movimento que vai além do momento em que o artista coloca o ponto final em seu texto.
Antônio Geraldo Figueiredo Ferreira